Muitos ainda associam o cooperativismo apenas a pequenos produtores locais. No entanto, ao olharmos para o mapa da economia global, o que vemos é o oposto: o cooperativismo é a espinha dorsal de algumas das nações mais ricas do planeta.
Longe de ser um modelo alternativo de “resistência”, o setor cooperativo é um pilar de estabilidade e inovação em países desenvolvidos, provando que é possível unir lucro e impacto social em larga escala.
As Potências do Modelo Cooperativo
Para entender a força desse movimento, precisamos olhar para os números e para os nomes que dominam mercados inteiros.
1. França: O Gigante Bancário
A França é, talvez, o maior exemplo de como o cooperativismo pode dominar o setor financeiro. O Crédit Agricole, maior banco cooperativo do mundo, não é apenas uma instituição financeira; é um motor da economia europeia.
- Fato: Quase metade dos depósitos bancários na França são feitos em bancos cooperativos.
2. Espanha: O Case Mondragón
Na Espanha, o destaque é o Grupo Mondragón. Sediado no País Basco, é a maior cooperativa industrial do mundo. Eles fabricam de eletrodomésticos a componentes aeroespaciais, provando que o modelo funciona perfeitamente na indústria de alta tecnologia.
3. Alemanha e Holanda: Tradição e Agroindústria
- Alemanha: Foi o berço do cooperativismo de crédito (Raiffeisen). Hoje, as cooperativas alemãs são fundamentais no setor de energia renovável.
- Holanda: O Rabobank é referência mundial em financiamento agrícola, e as cooperativas de flores (como a Royal FloraHolland) controlam o mercado global de exportação.
4. Itália e Canadá: Bem-estar e Consumo
- Itália: Possui uma das legislações mais avançadas para cooperativas sociais, que gerem serviços de saúde e educação com eficiência impecável.
- Canadá: O movimento Desjardins é a maior instituição financeira cooperativa da América do Norte, com uma presença massiva no Quebec.
O Brasil no Cenário Global
O Brasil não fica atrás. Somos uma das maiores forças cooperativas das Américas, especialmente no Agronegócio e na Saúde (com o sistema Unimed, a maior cooperativa médica do mundo).
No Brasil, o cooperativismo não apenas gera impostos, mas é o principal responsável por manter a sucessão familiar no campo e a infraestrutura em cidades do interior que, muitas vezes, são negligenciadas pelo capital privado tradicional.
Por que o Cooperativismo cresce em países desenvolvidos?
A resposta é simples: Resiliência. Em momentos de crise financeira, enquanto empresas de capital aberto buscam salvar os dividendos dos acionistas, as cooperativas focam em manter o ecossistema de seus associados vivo. Isso cria uma economia mais estável, com menor índice de falências e maior retenção de riqueza local.
O cooperativismo não é um modelo do passado; é a estratégia mais inteligente para um futuro sustentável.




